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Marcelo Marcos: um fotógrafo, uma cidade, um legado de afeto

O ano era 1993. O cenário, o bairro do Pedregal. Eu assumia a função de primeiro gerente da Divisão de Imprensa da Câmara Municipal de Campina Grande; Marcelo, o fotógrafo oficial. Ali, durante mais uma edição do programa A Câmara na Comunidade, idealizado e coordenado pela então vereadora-presidente Maria Lopes Barbosa, começava uma amizade que se tornaria profunda e fecunda.

Com Marcelo, aprendi muito — sobre jornalismo, fotografia e, sobretudo, sobre a história viva da imprensa campinense nos últimos 50 anos.

Sempre bem-humorado, dono de tiradas espirituosas e observador atento do cotidiano da cidade, dizia-se fotógrafo, mas facilmente poderia ter sido um grande comediante.

Amava a fotografia, o jornalismo e, acima de tudo, Campina Grande.

Nos últimos dez anos, nossos encontros tornaram-se quase um ritual: a missa diária do meio-dia na Catedral de Nossa Senhora da Conceição. A pauta era invariável — Campina, a política local e estadual, e as autoridades que marcaram época na cidade.

Às vezes, aos domingos, o acaso nos reunia na Rua Antenor Navarro, no bairro do Prata. Marcelo vinha do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, no Monte Santo, e fazia questão de dizer que visitara o túmulo do pai — garçom de destaque em Campina — e de seu amigo fraterno e dileto, Raymundo Asfora.

Nesta terça-feira(06) Marcelo fez sua passagem. Cumpriu, com dignidade e simplicidade, a missão que lhe foi confiada pelo Criador. Deixa saudades, mas deixa ainda mais: virtudes raras de um homem íntegro, profissional exemplar, amigo leal, esposo amoroso e pai dedicado.

Que Jesus o acolha em Seu Reino e conforte o coração de sua esposa, filha e de todos nós, amigos que tivemos o privilégio de caminhar ao seu lado.