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Urna eletrônica chega aos 30 anos como marco da democracia brasileira

Há três décadas, o Brasil iniciava uma das maiores transformações da sua história democrática com a criação da urna eletrônica, sistema que modernizou o processo eleitoral e tornou o país referência mundial em votação informatizada. Desenvolvido em 1995 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em parceria com especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), o equipamento surgiu para substituir as antigas cédulas de papel, frequentemente associadas a fraudes, demora na apuração e insegurança eleitoral.

O novo modelo representou um avanço tecnológico inédito no país. A chamada “máquina de votar” integrou tela, teclado e processador em um único equipamento, oferecendo um sistema simples, rápido e acessível. O teclado numérico, semelhante ao de um telefone, foi pensado para facilitar o uso por pessoas analfabetas e eleitores com deficiência visual, reforçando o compromisso do sistema eleitoral brasileiro com a inclusão e a participação democrática.

A estreia da urna eletrônica aconteceu nas Eleições Municipais de 1996, quando mais de 32 milhões de brasileiros votaram eletronicamente em 57 cidades com mais de 200 mil eleitores, incluindo praticamente todas as capitais do país. Cerca de 70 mil urnas foram utilizadas naquele pleito, alcançando aproximadamente um terço do eleitorado nacional. O sucesso da experiência acelerou a expansão do sistema e, nas eleições de 2000, o Brasil entrou para a história ao realizar a primeira votação totalmente informatizada do mundo.

Desde então, o equipamento passou por constantes evoluções tecnológicas. Ao longo dos últimos 30 anos, 14 modelos diferentes de urnas eletrônicas foram desenvolvidos, incorporando mecanismos avançados de segurança, criptografia e auditoria. A biometria, implantada gradualmente a partir de 2008, fortaleceu ainda mais a identificação dos eleitores e reduziu as possibilidades de fraude. Recursos como sintetizador de voz, teclas em braile e intérprete de Libras também ampliaram a acessibilidade do sistema eleitoral.

Além da segurança e da transparência, a urna eletrônica revolucionou a rapidez da apuração dos votos no Brasil. O que antes levava dias para ser concluído passou a ser finalizado em poucas horas. Nas Eleições Municipais de 2024, mais de 153 milhões de eleitores utilizaram cerca de 570 mil urnas distribuídas pelos 5.569 municípios brasileiros, consolidando o país como responsável pela maior eleição totalmente informatizada do planeta. Os equipamentos mais recentes também apresentam menor consumo de energia e maior durabilidade, tornando o sistema mais sustentável.

Durante cerimônia em comemoração aos 30 anos da urna eletrônica, a presidente do TSE, Cármen Lúcia destacou a importância histórica do equipamento para a democracia brasileira. Segundo ela, a urna eletrônica “acabou com a fraude eleitoral” e garantiu mais segurança ao processo de votação, assegurando que os resultados das eleições expressem de forma fiel a vontade soberana do povo brasileiro.

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