O cantor e compositor campinense Capilé, um dos maiores propagadores da música nordestina e o único artista a se apresentar em todas as edições d’O Maior São João do Mundo, acaba de lançar, em seu perfil nas redes sociais, a música “O Último Lampião”, uma composição que reforça a defesa do protagonismo do forró nas festas juninas.

Com uma letra forte e uma melodia fiel às raízes do autêntico arrasta-pé, o artista entra no debate sobre a preservação da identidade cultural do São João e faz um alerta para a perda de espaço do ritmo que deu origem à maior festa popular do Nordeste.
A canção surge em um momento em que cresce a mobilização de artistas nordestinos em defesa do forró tradicional. Nos versos, Capilé lamenta a descaracterização dos festejos juninos, marcada pela presença cada vez maior de ritmos como sertanejo, pagode e sofrência nos principais palcos do Nordeste.
Em um dos trechos mais marcantes, o cantor resume esse sentimento: “Pagodearam, sertanejearam, o salão virou barretão. Sanfona, triângulo e zabumba é só pra televisão.” Em outro momento, questiona: “Apagaram a fogueira, derrubaram o balão. Quem é que vai apagar a luz do último lampião?”, numa metáfora sobre o risco de o forró perder seu espaço na principal festa que ajudou a construir.
A música também denuncia o abandono de elementos tradicionais do São João. “O forró que é do povo escantearam”, canta Capilé, ao lamentar que a dança de casal tenha sido substituída por coreografias e estilos musicais que, segundo ele, pouco dialogam com a cultura junina. A crítica se estende ao repertório predominante em muitos eventos, resumido nos versos: “Cachaça, chifre e sofrência ninguém aguenta mais.”

Com “O Último Lampião”, Capilé se soma a uma trincheira formada por grandes nomes do forró, como Santana, Flávio José, Edmar Miguel, Dorgival Dantas e outros artistas que defendem a valorização da música nordestina durante o período junino. O grupo cobra maior espaço para os forrozeiros nas programações dos grandes eventos e questiona a contratação de artistas de outros gêneros musicais por cachês milionários, enquanto muitos músicos que preservam a tradição do forró recebem remunerações muito inferiores ou ficam de fora das principais festas.
O debate ultrapassa a questão musical e envolve a preservação de um patrimônio cultural brasileiro. Para os defensores do forró raiz, a diversidade de estilos pode coexistir ao longo do ano, mas o ciclo junino deve manter o forró como protagonista, valorizando sua história, seus artistas e os elementos que fizeram do São João uma das maiores expressões da cultura popular nordestina.

Símbolo da resistência cultural, “O Último Lampião” representa a esperança de manter acesa a chama do verdadeiro forró diante das transformações impostas pelo mercado do entretenimento. A música já vem conquistando repercussão positiva nas redes sociais. Disponibilizada no perfil oficial de Capilé no Instagram, @capiledacuca, a composição tem recebido elogios de seguidores, músicos e admiradores da cultura nordestina, que enxergam na canção um grito em defesa das tradições juninas e da valorização dos artistas da terra.
Confira a letra de “O Último Lampião”
O Último Lampião
Apagaram a fogueira
Derrubaram o balão
Quem é que vai apagar
A luz do último lampião
O chapéu que era de couro
Plastificaram
O forró que é do povo
Escantearam
É um tal de senta, senta
Ninguém junto dança mais
Cachaça, chifre e sofrência
Ninguém aguenta mais
Apagaram a fogueira…
Pagodearam, sertanejearam
O salão virou barretão
Sanfona, triângulo e zabumba
É só pra televisão
É um tal de chão, chão, chão
Ninguém junto dança mais
Cachaça, chifre e sofrência
Ninguém aguenta mais.
*BOA NOTÍCIA PB, A INFORMAÇÃO QUE AFZ BEM!