O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google lançaram, nesta quarta-feira (26), em Brasília, uma campanha para incentivar candidatas e candidatos das Eleições Gerais de 2026 a utilizarem uma ferramenta do YouTube capaz de identificar conteúdos falsos produzidos ou manipulados com inteligência artificial que reproduzam a imagem de uma pessoa.
A iniciativa busca ampliar o rastreamento, dentro da plataforma, de conteúdos que utilizem indevidamente a imagem de candidatos durante o período eleitoral. A medida pretende reduzir os riscos relacionados ao uso inadequado da inteligência artificial e contribuir para um ambiente digital mais seguro durante as eleições.
Ao anunciar a parceria, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou que a iniciativa representa um esforço conjunto entre o poder público e o setor privado para preservar direitos fundamentais no ambiente digital e fortalecer a confiança no processo eleitoral.
“Tenho a certeza de que a união dos setores público e privado, em prol dos valores democráticos, é uma das mais significativas expressões do texto constitucional”, afirmou o magistrado.
Segundo o ministro, a iniciativa ganha relevância diante do potencial de dano provocado pelo uso inadequado da inteligência artificial generativa em períodos eleitorais. Com a ferramenta, os próprios candidatos poderão acompanhar a utilização de sua imagem no YouTube e tomar as medidas cabíveis caso identifiquem conteúdos potencialmente irregulares.
Democracia, voz e responsabilidade
O presidente do Google Brasil e vice-presidente da Google Inc., Fábio Coelho, destacou que a empresa mantém colaboração com a Justiça Eleitoral desde 2014 e reforçou o compromisso do Google com a gestão responsável de suas plataformas e com soluções voltadas à segurança do processo eleitoral.
Segundo o executivo, a cooperação entre instituições públicas e empresas de tecnologia é fundamental para garantir um processo eleitoral mais seguro e confiável. Ele também ressaltou a importância de mecanismos que protejam os usuários contra o uso indevido da tecnologia para difamar pessoas ou produzir conteúdos enganosos.
“Nós avaliamos cada denúncia com base nas políticas de privacidade do YouTube e, em caso de qualquer violação, o conteúdo é removido”, afirmou Fábio Coelho.
Como funciona a ferramenta
Para utilizar o recurso, a candidata ou o candidato precisa ter uma conta no YouTube e acessar o YouTube Studio, na área de detecção de conteúdo por semelhança. Caso não possua uma conta, é possível criar um registro exclusivamente para essa finalidade.
Após aceitar os termos de uso, o usuário passa por um processo de verificação de identidade, que inclui o envio de documento oficial e a realização de uma selfie por foto e vídeo. A partir desse cadastro, a plataforma cria um registro da aparência da pessoa para identificar possíveis ocorrências de uso de sua imagem no YouTube.
O processamento da identificação pode levar até dois dias. Depois disso, a plataforma realiza varreduras nos conteúdos publicados e notifica o usuário caso detecte vídeos que reproduzam sua imagem.
Ao receber o alerta, o candidato poderá analisar o conteúdo identificado e, caso considere que houve uso indevido de sua imagem, solicitar a remoção. O pedido será avaliado de acordo com as políticas de privacidade do YouTube e, constatada uma violação das regras da plataforma, o conteúdo poderá ser retirado do ar.
Proteção da identidade digital
De acordo com Kassio Nunes Marques, a ferramenta não substitui a análise humana nem os mecanismos de fiscalização já existentes, mas amplia a capacidade de identificar conteúdos potencialmente prejudiciais à imagem e à honra dos participantes do processo eleitoral.
Para o presidente do TSE, proteger a identidade no ambiente digital também significa preservar a autenticidade do debate público e a liberdade de escolha dos eleitores.
A parceria entre o TSE e o Google busca, portanto, antecipar riscos relacionados ao uso da inteligência artificial e fortalecer a confiança no processo eleitoral de 2026.
“A Justiça Eleitoral continuará acompanhando as transformações tecnológicas, dialogando com especialistas e trabalhando em conjunto com as plataformas digitais para criar um ecossistema de informação equilibrado que permita ao eleitorado exercer com plenitude a sua cidadania”, finalizou o presidente do TSE.
*BOA NOTÍCIA PB, A INFORMAÇÃO QUE FAZ BEM!