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Cardeais defendem participação consciente dos cristãos na vida pública

Em um ano eleitoral, oito cardeais e arcebispos da Igreja Católica se reuniram, na noite desta quarta-feira (2), em Brasília, para refletir sobre o papel dos cristãos na política e a importância da participação consciente na vida pública. Durante o encontro, os religiosos defenderam que os cristãos estejam atentos às decisões políticas e contribuam para a construção de uma sociedade mais justa, pautada pelo bem comum, pela solidariedade e pela ética.

O encontro foi transmitido pela Redevida e outras emissoras católicas e abordou os desafios da democracia e a responsabilidade dos cidadãos diante do cenário político. Os cardeais ressaltaram que a participação da Igreja no debate político não significa atuação partidária ou indicação de candidatos, mas uma contribuição para a construção da sociedade a partir de princípios que devem orientar a vida coletiva.

O cardeal de Brasília, Dom Paulo César Costa, destacou que o bem comum precisa ser compreendido para além de um conceito abstrato. Segundo ele, esse princípio está relacionado a questões concretas que afetam diretamente a população, como acesso à educação, saúde, moradia, trabalho e segurança.

“O político percebe que o centro da política é o bem comum”, afirmou.

Dentro dessa perspectiva, os religiosos também defenderam uma participação responsável dos cristãos no processo eleitoral. Para os cardeais, o eleitor deve analisar as propostas, a trajetória e as prioridades dos candidatos, considerando não apenas seus interesses individuais, mas também os impactos das escolhas para toda a sociedade.

O cardeal de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, ressaltou que o voto deve ser acompanhado de reflexão e responsabilidade.

“Nosso voto tem consequências, portanto a gente deve pensar”, destacou.

Durante o encontro, os religiosos também refletiram sobre os desafios enfrentados pelas democracias, entre eles a polarização, a radicalização dos discursos, a desinformação e a perda de confiança nas instituições. Dom Jaime Spengler, de Porto Alegre, afirmou que a democracia depende da participação da sociedade para buscar soluções para os problemas coletivos.

“A participação democrática é isso; não é um regime perfeito, mas é um regime que busca aquilo que é o melhor mediante uma grande participação social”, afirmou.

Outro ponto discutido foi a relação entre política e ética. Para Dom Odilo, a atuação política deve estar vinculada a princípios morais e não pode admitir práticas como corrupção e imoralidade.

“Não se pode fazer política com imoralidade, com corrupção”, afirmou.

Os cardeais defenderam ainda que o respeito à dignidade humana, a justiça social, o combate à desigualdade, a valorização do trabalho e a solidariedade estejam entre os princípios considerados nas decisões políticas.

Ao explicar a presença da Igreja Católica no debate político, Dom Odilo ressaltou que a instituição não atua como partido nem indica candidatos. Segundo ele, a participação da Igreja tem como objetivo contribuir para a construção da sociedade e recordar os princípios que devem nortear a vida social.

“A Igreja fala de política” porque essa é “uma forma de participar da construção da sociedade, recordando os grandes princípios que devem nortear a vida social”, afirmou.

Ao final do encontro, os religiosos reforçaram a defesa de uma sociedade “mais justa, uma sociedade integrada e integradora”. A reflexão em Brasília destacou, assim, a importância de uma atuação consciente dos cristãos na vida pública, especialmente em um período eleitoral, com atenção ao bem comum, à fraternidade, à solidariedade e à ética nas escolhas e decisões que envolvem a sociedade.

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