A esquerda está articulando a criação de uma “bancada profissional digital” na Câmara dos Deputados para ampliar sua presença nas redes sociais, fortalecer a comunicação política e enfrentar a influência da direita no ambiente virtual. A iniciativa reúne pelo menos 13 parlamentares do PT, PSOL, PCdoB e PSB, segundo informações da jornalista Malu Gaspar, publicadas no jornal O Globo.
O grupo reúne novos deputados, como Guilherme Cortez (PSOL-SP), Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), Ana Elisa (PT-MG), Pedro Rousseff (PT-MG), Giovana Mondardo (PCdoB-SC), Rosa Amorim (PT-PE), Luna Zarattini (PT-SP), Jones Manoel (PSOL-PE) e Rick Azevedo (PSOL-RJ). Eles se somam a parlamentares com atuação consolidada nas redes, como Erika Hilton (PSOL-SP), Dandara Tonantzin (PT-MG), Pedro Campos (PSB-PE), Camila Jara (PT-MS) e André Janones (Rede-MG).
A articulação ganhou força após o primeiro turno das eleições, quando o presidente Lula (PT) terminou a disputa com 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro (PL). A mobilização busca ampliar a capacidade de comunicação da esquerda diante da presença digital de representantes da direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que alcançaram votações expressivas nas urnas.
Entre as estratégias discutidas estão a publicação simultânea de conteúdos, o uso de hashtags padronizadas e a divulgação coordenada de projetos considerados prioritários pelo grupo. A proposta também pretende fortalecer a comunicação direta do governo com a população, reduzindo a dependência dos canais tradicionais de imprensa.
Na última quinta-feira (29), após reunião com o deputado André Janones, responsável pelo canal “Exército de Lula”, o presidente confirmou a intenção de investir em uma comunicação digital mais intensa. “A gente vai trabalhar para fazer uma comunicação digital muito forte”, afirmou Lula, ao defender o contato direto com o público pelas redes.
A iniciativa ocorre em um cenário de diferença numérica entre os campos políticos no Congresso Nacional. O PL possui 121 cadeiras, enquanto os partidos da coligação de esquerda — PT, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede — somam 124 parlamentares. Diante desse quadro, a deputada Erika Hilton defende maior articulação entre os mandatos e a construção de alianças com partidos de centro para viabilizar a aprovação de propostas de interesse dos trabalhadores.
O deputado Guilherme Cortez avalia que a esquerda chega à nova legislatura mais preparada para disputar espaço nas redes e enfrentar a atuação digital da direita. Já a deputada eleita Ana Júlia Ribeiro destaca a experiência política e a formação dos novos parlamentares, muitos deles com trajetória nos movimentos estudantis e sociais.
Para o professor de Comunicação Política da PUC-Rio, Arthur Ituassu, a disputa de narrativas nas plataformas digitais tornou-se fundamental para a sustentação política do governo e para os próximos embates eleitorais. Segundo ele, a ausência da esquerda nesse espaço pode permitir que a oposição influencie a percepção da população sobre o governo e suas ações.
*Da Redação com in formações e imagem do Portal BRASIL 247
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