O prêmio mais aguardado da música mundial viveu, neste domingo (1), em Los Angeles, mais um capítulo histórico — e o Brasil escreveu nele um verso inesquecível. Caetano Veloso e Maria Bethânia foram consagrados com o Grammy de Melhor Álbum de Música Global, pelo disco Caetano e Bethânia Ao Vivo, uma celebração vibrante de arte, memória e identidade.
A estatueta foi recebida pela cantora e apresentadora Dee Dee Bridgewater, que representou os irmãos na cerimônia e levou ao palco a emoção de uma conquista que atravessou fronteiras e oceanos.
Para Maria Bethânia, o prêmio tem sabor de estreia: é o primeiro Grammy de sua trajetória, após décadas sendo uma das vozes mais potentes, sensíveis e emblemáticas da música brasileira. Já Caetano Veloso soma agora três Grammys em sua carreira: venceu em 2000 com o álbum Livro (1997), na então categoria de Melhor Álbum de World Music; repetiu o feito em 2001 como produtor de João Voz e Violão, de João Gilberto; e retorna ao palco da premiação em 2026, desta vez ao lado da irmã, numa consagração que também é afetiva.
Mais do que um disco, Caetano e Bethânia Ao Vivo é um retrato de mais de seis décadas de trajetória artística, um encontro de vozes que atravessaram gerações e reafirmam, com delicadeza e força, o lugar da música brasileira no cenário internacional.
O álbum ganhou as estradas do país em uma turnê marcante, que passou por dez capitais brasileiras entre agosto de 2024 e março de 2025. Em apenas oito meses, mais de 500 mil ingressos foram vendidos — números que traduzem, em aplausos, o amor do público.
Uma disputa de gigantes
A vitória veio em meio a uma das disputas mais acirradas da categoria, que reuniu nomes de peso da música global. Concorreram com os brasileiros:
- Sounds of Kumbha, de Siddhant Bhatia;
- No Sign of Weakness, de Burna Boy;
- Éclairer le monde – Light the World, de Youssou N’Dour;
- Mind Explosion – 50th Anniversary Tour Live, de Shakti;
- Chapter III: We Return To Light, de Anoushka Shankar, com Alam Khan e Sarathy Korwar.
A serenidade de quem canta por amor
Mesmo diante do reconhecimento máximo da indústria musical, Caetano e Bethânia reagiram com a calma de quem sempre fez arte antes de buscar troféus. Nada de ansiedade ou euforia exagerada: apenas a tranquilidade de quem entende que o aplauso é consequência, não objetivo.
A cena da descoberta do prêmio resume esse espírito. Caetano soube da vitória de forma quase casual, deitado na cama ao lado do neto, assistindo a um desenho, quando foi avisado pela esposa, Paula Lavigne. Em seguida, ligou para Bethânia por vídeo. Surpresa, ela respondeu com simplicidade:
— “Já teve, foi? Eu não sabia nem que horas era.”
Caetano completou, no mesmo tom:
— “Nem eu.”
E assim, com leveza e poesia, a música brasileira mostrou mais uma vez que sabe ganhar o mundo sem perder a alma.
*BOA NOTÍCIA PB, A INFORMAÇÃO QUE FAZ BEM!