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Brasil e Santa Sé celebram 200 anos de relações diplomáticas

Por ocasião da celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, foi realizada terça-feira (03/03) uma sessão extraordinária no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. A cerimônia integra oficialmente o calendário comemorativo do bicentenário no país.

A solenidade contou com a presença dos bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), parlamentares, representantes do corpo diplomático e autoridades civis e eclesiásticas.

Na ocasião, o Papa Leão XIV enviou uma mensagem aos participantes, lida pelo núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro. No texto, o Pontífice ressaltou a “longevidade de uma amizade autêntica”, capaz de se adaptar às transformações sociais e políticas ao longo de dois séculos, evidenciando a solidez do vínculo bilateral.

Leão XIV destacou ainda o trabalho diligente — muitas vezes silencioso — de diplomatas e eclesiásticos que contribuíram para o fortalecimento das relações entre os dois Estados. Recordou que, desde o período colonial, a Igreja exerceu papel relevante nos campos educativo, cultural e moral, colaborando para a formação de identidades e para a promoção de valores éticos e do bem comum.

O Papa observou que a separação entre Estado e Igreja representou um amadurecimento institucional, sem significar ruptura nas relações, mas sim o aperfeiçoamento de uma parceria marcada pelo respeito mútuo. Segundo ele, mesmo diante das mudanças históricas e dos períodos mais desafiadores, Brasil e Santa Sé permaneceram unidos na defesa da dignidade humana, da paz e da cooperação internacional.

Ao recordar a assinatura do Acordo entre a Santa Sé e o Brasil, em 2008 — promulgado em 2010 —, o Pontífice ressaltou que os laços diplomáticos contribuem para assegurar a liberdade religiosa, considerada pilar essencial de uma democracia consolidada. A mensagem foi concluída com a invocação de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e a concessão da bênção apostólica ao povo brasileiro.

Laicidade positiva e maturidade institucional

Na abertura da sessão, foi exibido um vídeo rememorando os dois séculos de colaboração em favor do bem comum. O cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, destacou que a Igreja acompanhou momentos decisivos da história nacional, do Império à consolidação da República.

Ele afirmou que a separação entre Igreja e Estado representou um processo de amadurecimento institucional e ressaltou que, no Brasil, consolidou-se um modelo de “laicidade positiva”, no qual ambas as esferas são distintas e independentes, mas colaboram reciprocamente em favor da sociedade.

O cardeal também recordou as visitas de João Paulo II e Francisco ao país, além do Acordo Brasil–Santa Sé, como expressões da maturidade das relações bilaterais e da garantia da liberdade religiosa no contexto do Estado laico.

Diplomacia a serviço da paz

O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, afirmou que o bicentenário representa ocasião para recordar um caminho espiritual e humano no qual a diplomacia esteve a serviço da paz e da dignidade da pessoa humana.

Segundo ele, apesar das profundas transformações ao longo desses 200 anos, as relações entre Brasil e Santa Sé mantiveram como fundamento a centralidade da pessoa humana e o compromisso com o diálogo. Citando recente discurso de Leão XIV ao corpo diplomático, destacou que a diplomacia da Santa Sé não busca privilégios políticos, mas nasce de uma visão ética e espiritual da história.

Missa em ação de graças

Ainda na terça-feira, foi celebrada missa em ação de graças na Catedral Metropolitana de Brasília, presidida pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, enviado especial do Papa para a ocasião. Ex-núncio apostólico no Brasil, Baldisseri esteve à frente da representação diplomática da Santa Sé no país durante a assinatura do Acordo bilateral.

Em sua homilia, manifestou alegria por participar do momento histórico e transmitiu a saudação e a bênção apostólica do Pontífice ao povo brasileiro. Ao final da celebração, dom Jaime Spengler agradeceu sua presença e destacou a importância da diplomacia como instrumento de paz, negociação e mediação, especialmente em um contexto internacional marcado por tensões que exigem discernimento e cooperação entre as nações.

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