A figura do Papai Noel, hoje reconhecida mundialmente como símbolo do Natal, tem uma longa trajetória marcada pela mistura de tradições religiosas, culturais e comerciais. Sua origem remonta ao século IV, com a história de São Nicolau de Mira, um bispo conhecido pela generosidade e pela preocupação com os mais pobres. Naquele período, Nicolau se destacava por distribuir presentes de maneira anônima, especialmente a crianças e famílias necessitadas, gesto que o tornou amplamente venerado após sua morte.
Ao longo da Idade Média, a devoção a São Nicolau se espalhou pela Europa, especialmente em países como Holanda, Alemanha e França. Lá, o bispo ganhou novas características e nomes, como Sinterklaas entre os holandeses. A tradição de entregar presentes às crianças no dia 6 de dezembro se consolidou, embora o personagem ainda mantivesse traços religiosos, como a mitra e o cajado episcopal. Durante séculos, essa figura variou enormemente entre as regiões europeias.
No século XVII, quando colonos holandeses migraram para a América do Norte, especialmente para a colônia de Nova Amsterdã (atual Nova York), levaram consigo a imagem do Sinterklaas. A partir dessa influência, os americanos adaptaram o nome para Santa Claus e iniciaram um processo de transformação da figura tradicional. Nos Estados Unidos, ele começou a perder a aparência de bispo e foi ganhando características mais populares, associadas ao espírito natalino e à cultura local.
A consolidação do Papai Noel moderno ganhou força no século XIX. Em 1823, o poema norte-americano A Visit from St. Nicholas — conhecido como The Night Before Christmas — revolucionou a imagem do personagem. O texto descreveu Santa Claus como um homem alegre, gordinho, viajando em um trenó puxado por oito renas e entrando nas casas pela chaminé para entregar presentes. Esses elementos se tornaram parte permanente do imaginário natalino e influenciaram ilustrações e representações posteriores.
Entretanto, até o início do século XX, o Papai Noel ainda aparecia em diversas cores, como verde, azul, marrom e até roxo. Não havia um padrão visual definido. Embora o vermelho já fosse usado em algumas representações devido à ligação com São Nicolau — frequentemente retratado com vestes avermelhadas — essa cor não era dominante. A falta de uniformidade fazia com que cada país criasse sua própria versão estética da figura natalina.
A transformação definitiva ocorreu em 1931, quando a Coca-Cola contratou o artista Haddon Sundblom para criar uma série de ilustrações de Natal. Inspirado no poema de 1823, Sundblom desenhou um Papai Noel simpático, robusto, de barba branca e roupas vermelhas, cor que também coincidia com a identidade visual da marca. As imagens foram amplamente divulgadas em revistas, outdoors e anúncios internacionais, fixando a versão vermelha como o padrão mundial.

Com a força da publicidade e o alcance da marca, essa nova representação se popularizou rapidamente, cruzando fronteiras e consolidando uma figura única, reconhecida universalmente. Assim, embora o Papai Noel tenha raízes religiosas e folclóricas, sua imagem moderna resulta diretamente da combinação entre tradição e indústria cultural. O personagem, que começou como um bispo da Antiguidade, tornou-se um ícone global do Natal contemporâneo.

Hoje, Papai Noel representa não apenas a generosidade de São Nicolau, mas também o poder da cultura popular em transformar e unificar tradições ao redor do mundo. Sua história evidencia como elementos religiosos, literários e comerciais se combinaram para criar um dos personagens mais emblemáticos e queridos da celebração natalina.
*Da Redação com o Setor de Pesquisa do BOA NOTÍCIA PB