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Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA e impõem derrota histórica a Trump

Os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições legislativas desta terça-feira (3), impondo uma expressiva derrota ao presidente Donald Trump. A vitória alcançou estados tradicionalmente republicanos e alterou o equilíbrio de forças em Washington, fortalecendo a oposição para barrar iniciativas da Casa Branca

No Senado, que possui 100 cadeiras, os democratas garantiram pelo menos 54 assentos, contra 43 dos republicanos, segundo a atualização da apuração divulgada nesta quarta-feira (4). O partido também mantinha vantagem em outras duas disputas ainda sem resultado definitivo. A conquista representa uma virada histórica, com vitórias em estados conservadores como Kansas, Texas, Carolina do Sul, Ohio e Carolina do Norte.

Entre os resultados mais simbólicos estão a eleição de Adam Hamilton, primeiro senador democrata pelo Kansas desde 1932; a vitória de James Talarico no Texas, derrotando Ken Paxton, candidato apoiado por Trump; e a derrota da republicana Darline Graham na Carolina do Sul. Em Ohio, Sherrod Brown também venceu o republicano Jon Husted.

Na Câmara dos Representantes, composta por 435 deputados, os democratas também recuperaram a maioria, conquistando o controle da Casa após avançarem em distritos anteriormente dominados pelos republicanos. O partido venceu as 20 disputas consideradas mais competitivas que tiveram resultado definido até a atualização da Reuters, além de conquistar cadeiras em estados como Iowa, Texas, Flórida, Pensilvânia, Kentucky, Missouri, Nebraska, Ohio e Utah.

A derrota republicana também se estendeu às eleições para governador. No Texas, Gina Hinojosa derrotou Greg Abbott, que tentava um quarto mandato. Em Ohio, a democrata Amy Acton venceu Vivek Ramaswamy. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira mulher negra eleita governadora de um estado americano.

O resultado reflete o descontentamento dos eleitores com a administração Trump, especialmente diante do aumento do custo de vida, da inflação, das dificuldades econômicas e das consequências da guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro. Pesquisas de boca de urna indicaram que 50% dos eleitores encararam as eleições como uma oportunidade de repreender o presidente. Cerca de 75% disseram estar com raiva ou insatisfeitos com os rumos do país, enquanto 70% defenderam que o Congresso exerça maior controle sobre as decisões presidenciais.

Trump, que participou de dezenas de comícios e apoiou diretamente candidatos republicanos derrotados, tentou minimizar o resultado. Nas redes sociais, afirmou que, caso seu nome estivesse nas urnas, teria vencido por uma avalanche de votos. Posteriormente, reconheceu que a guerra contra o Irã contribuiu para as perdas do partido, embora tenha mantido sua defesa do conflito.

Com o controle das duas casas do Congresso, os democratas terão maior poder para fiscalizar o governo, convocar autoridades, abrir investigações, bloquear indicações presidenciais e dificultar a aprovação de propostas de Trump. A oposição também sinalizou que pretende ampliar as investigações sobre integrantes da administração e negócios da família presidencial.

A vitória representa um dos maiores reveses políticos do segundo mandato de Trump e transforma os dois últimos anos de seu governo em um período de maior enfrentamento com o Congresso, agora sob domínio democrata.

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