Um jogo educativo desenvolvido na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) garantiu o segundo lugar entre os melhores trabalhos apresentados no 19º Congresso Brasileiro de Hansenologia, realizado no fim de novembro, em Foz do Iguaçu (PR).
O Hansen Academy: uma jornada neurodermatológica foi premiado na área Clínica e Terapêutica. O projeto consiste em um serious game — jogos criados com finalidade pedagógica — idealizado pela estudante Mariah Barros, do curso de Enfermagem do Centro de Formação de Professores (CFP), campus Cajazeiras, sob orientação do professor Marcelo Fernandes.
Segundo o orientador, o aplicativo oferece uma abordagem inovadora e interativa para a formação em saúde. “O jogo torna o aprendizado mais dinâmico e acessível, ampliando o engajamento dos estudantes e fortalecendo a formação profissional”, destacou Fernandes, que coordena o Laboratório de Tecnologias de Informação e Comunicação em Saúde (Latics), onde o estudo foi desenvolvido.
A proposta reúne cenários ramificados e feedbacks baseados no Protocolo Clínico e nas Diretrizes Terapêuticas em hanseníase, orientando o aluno sobre suspeição, avaliação, classificação e manejo da doença. “À medida que avançam nas fases, os estudantes aprofundam seus conhecimentos sobre hanseníase”, explicou o docente.
O trabalho foi desenvolvido no Hospital Universitário Júlio Bandeira (HUJB), em Cajazeiras, por meio do Programa de Iniciação Tecnológica (PIT) da Ebserh. Ele integra o projeto Desenvolvimento, validação e avaliação de tecnologias cuidativo-educacionais no campo de doenças infectocontagiosas, financiado pelo CNPq. O game passa, atualmente, por processo de validação de conteúdo, aparência, usabilidade e semântica com especialistas e público-alvo.
Fernandes também ressaltou o papel do bolsista Antônio Ricart Medeiros, responsável pela programação do jogo, e destacou o impacto formativo da pesquisa. “O percurso científico da bolsista demonstra o potencial do programa em aproximar universidade, hospital universitário, pesquisa aplicada e inovação.”
Para o pesquisador, a iniciativa reforça o compromisso do Latics em desenvolver tecnologias que contribuam para o enfrentamento de doenças infectocontagiosas. “Ao ofertar uma ferramenta educacional voltada à hanseníase, doença ainda negligenciada no país, seguimos firmes no propósito de fortalecer a formação em saúde e a educação permanente dos profissionais”, concluiu.