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No Angelus deste domingo Papa alerta que a fé deve iluminar as trevas de injustiça e sofrimento no mundo

Diante das inúmeras perguntas que inquietam o coração humano e das dramáticas situações de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e profética, capaz de abrir os olhos para as trevas do mundo e levar a luz do Evangelho por meio do compromisso com a paz, a justiça e a solidariedade. Foi o que afirmou o Santo Padre durante a oração do Angelus neste domingo, 15 de março, diante de cerca de 20 mil fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração mariana, o Papa deteve-se no Evangelho do IV Domingo da Quaresma (Jo 9, 1-41), que narra a cura de um homem cego de nascença. Por meio da simbologia deste episódio, explicou, o evangelista João apresenta o mistério da salvação: enquanto a humanidade caminhava nas trevas, Deus enviou o seu Filho como luz do mundo para abrir os olhos dos cegos e iluminar a vida humana.

“Eu sou a luz do mundo”

Recordando que os profetas haviam anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos, o Pontífice ressaltou que o próprio Jesus confirma a sua missão ao afirmar: «Eu sou a luz do mundo». Segundo o Papa, todos podem reconhecer-se como “cegos de nascença”, pois o ser humano não consegue, por si só, compreender plenamente o mistério da vida.

Por isso, explicou, Deus encarnou-se em Jesus Cristo para que o “barro” da nossa humanidade, unido ao sopro da sua graça, recebesse uma nova luz. Essa luz permite ao homem ver a si mesmo, aos outros e ao próprio Deus na verdade.

O Santo Padre também chamou a atenção para a ideia difundida ao longo dos séculos — e ainda presente hoje — de que a fé seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia ao pensamento, como se acreditar significasse fazê-lo “cegamente”. Pelo contrário, sublinhou, o Evangelho mostra que o encontro com Cristo abre os olhos e ilumina a inteligência e o coração.

Abrir os olhos para o sofrimento dos outros

“Irmãos e irmãs, também nós, curados pelo amor de Cristo, somos chamados a viver um cristianismo ‘de olhos abertos’. A fé não é um ato cego, uma renúncia à razão, nem um refúgio religioso que nos faz desviar o olhar do mundo”, afirmou o Papa.

Segundo ele, a fé ajuda a olhar a realidade a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos, participando do seu modo de ver. Por isso, os cristãos são chamados a abrir os olhos sobretudo para o sofrimento dos outros e para as feridas que atingem o mundo.

Testemunhar Cristo com simplicidade e coragem

Ao concluir, o Papa convidou os fiéis a confiarem-se à intercessão da Virgem Maria, para que a luz de Cristo abra os olhos do coração e torne cada cristão capaz de testemunhar o Evangelho com simplicidade e coragem.

*COM INFORMAÇÕES E IMAGENS DO VATICAN NEWS