O trabalho por meio de plataformas digitais segue em expansão no Brasil. No terceiro trimestre de 2025, cerca de 2 milhões de pessoas atuavam utilizando aplicativos para prestação de serviços, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O número corresponde a 1,9% dos 102,4 milhões de pessoas ocupadas no país e representa um crescimento de 36,8% em comparação com 2022, início da série histórica. Os dados evidenciam o avanço da chamada economia de plataformas e a crescente dependência dos brasileiros desse modelo como fonte de renda e ocupação.
Do total de trabalhadores plataformizados, 1,8 milhão utilizavam os aplicativos como principal fonte de trabalho. Outros 182 mil exerciam atividades por plataformas como ocupação secundária, enquanto cerca de 28 mil atuavam nesse modelo nas duas ocupações.
Na comparação com 2024, o número de trabalhadores que utilizavam plataformas digitais na ocupação principal cresceu 9,1%. Entre aqueles que possuíam um trabalho secundário, a participação das atividades realizadas por aplicativos chegou a 6,2%, percentual superior aos 2% registrados no conjunto dos trabalhadores do setor privado.
O transporte de passageiros permanece como a principal atividade desenvolvida por meio das plataformas digitais. O setor reunia 1,2 milhão de trabalhadores em 2025, o equivalente a 58,9% do total. Dentro desse grupo, 1,1 milhão atuavam no transporte de passageiros diferente de táxi, enquanto outros 232 mil utilizavam aplicativos específicos para o serviço de táxi.
As plataformas de entrega de comida e produtos eram utilizadas por 585 mil pessoas, representando 29,9% dos trabalhadores do setor. Desse total, 376 mil atuavam especificamente como entregadores.
Já os aplicativos voltados à prestação de serviços gerais ou profissionais reuniam 313 mil trabalhadores, correspondendo a 16% do total. Uma mesma pessoa pode utilizar mais de um tipo de plataforma, o que explica a soma das categorias superior ao número total de trabalhadores.
Os entregadores registraram o maior crescimento entre 2024 e 2025 na ocupação principal. O número passou de 274 mil para 325 mil pessoas, uma alta de 18,6%.
O perfil dos trabalhadores por plataformas digitais é majoritariamente masculino. Os homens representavam 84,4% do total em 2025, enquanto as mulheres correspondiam a 15,6%. A maior concentração também está entre pessoas de 25 a 39 anos, faixa etária que representa 47% dos trabalhadores por aplicativos.
Apesar do crescimento expressivo e da importância das plataformas na geração de ocupação e renda, os dados também revelam desafios relacionados à proteção social desses profissionais. Apenas 34% dos trabalhadores por aplicativos contribuíram para a Previdência em algum trabalho, enquanto a proporção chegava a 63% entre os trabalhadores não plataformizados.
Para o advogado trabalhista Tomaz Nina, embora a legislação brasileira possua instrumentos para analisar as relações entre trabalhadores e plataformas, ainda não existe uma regulamentação específica para esse modelo.
Segundo ele, características como autonomia, flexibilidade de horários e gestão por algoritmos reforçam a necessidade de atualização das regras trabalhistas. O desafio, segundo o especialista, é garantir proteção mínima aos profissionais sem simplesmente aplicar integralmente o modelo tradicional das relações de emprego.
Com quase 2 milhões de brasileiros utilizando plataformas digitais como alternativa de trabalho e renda, o crescimento do setor também amplia o debate sobre a necessidade de regulamentação e de novas formas de proteção para os profissionais da economia digital.
***BOA NOTÍCIA PB, A INFORMAÇÃO QUE FAZ BEM!