Diante dos crescentes índices de violência contra a mulher no Brasil, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) passa a integrar uma mobilização internacional de conscientização sobre o feminicídio. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados no início de março deste ano, o país registrou em 2025 mais de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero. Como forma de reforçar a luta pelo feminicídio zero, a instituição aderiu à campanha Banco Vermelho, iniciativa que utiliza espaços públicos para promover reflexão e mobilização social.
Na UFCG, sete bancos vermelhos foram adquiridos — um para cada campus da Universidade. O primeiro será instalado no campus sede, em Campina Grande, no final da manhã da próxima terça-feira, dia 17. As instalações nos demais campi estão previstas para ocorrer entre os meses de abril e maio.
Além de funcionar como símbolo de alerta, o Banco Vermelho traz informações sobre os números do feminicídio no país, os diferentes tipos de violência contra a mulher e os canais disponíveis para denúncias. A proposta é chamar a atenção da comunidade acadêmica e da sociedade para a gravidade do problema, convidando as pessoas a sentarem, refletirem sobre o tema e, ao se levantarem, se comprometerem com ações de enfrentamento à violência.
A cor vermelha, escolhida para os bancos, simboliza o sangue derramado por mulheres vítimas de feminicídio e também remete ao sinal de “pare”, em alusão à urgência de interromper esse ciclo de violência.
Para a vice-reitora da UFCG, professora Fernanda Leal, a instalação dos bancos reforça o compromisso institucional da Universidade com o enfrentamento às violências de gênero. “Somos uma instituição pública que combate o feminicídio e outras violências contra as mulheres e nos somamos a essa luta junto com outras Instituições de Ensino Superior e demais entidades da sociedade brasileira”, destacou.
A campanha Banco Vermelho surgiu em 2016, na Itália, como um símbolo de enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio. A iniciativa nasceu da mobilização de duas mulheres que perderam amigas vítimas de assassinato e decidiram transformar o luto em um movimento de conscientização.
No Brasil, o movimento foi trazido pelas recifenses Andrea Rodrigues e Paula Limongi, que também perderam amigas para o feminicídio. Em novembro de 2023, elas fundaram o Instituto Banco Vermelho, ampliando a mobilização no país. Em 2024, a iniciativa passou a integrar oficialmente as políticas públicas brasileiras de enfrentamento à violência contra a mulher, com a aprovação da Lei Federal 14.942/24, sancionada em 31 de julho daquele ano.
*BOA NOTÍCIA PB, A INFORMAÇÃO QUE FAZ BEM!